quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Daniel Day-Lewis

xin_11ffdf59d6e84490ab5fac8043057338 Há muito que os atores, assim concebidos, deixaram de usar máscaras para interpretar seus papéis, como faziam nas tragédias da Grécia Antiga. Não seria prejudicial entender a importância dessa figura a que recorro, contudo, para falar de um dos maiores atores que já passaram pelas telas de cinema do mundo todo. E que ainda vive.

Falo do ator britânico Daniel Day-Lewis, cinquentão talentoso, dono de famoso nariz torto, e paradigma na arte de incorporar os personagens.

Entre suas aparições mais famosas, conta-se obras como: Sangue Negro (2007), Gangues de Nova Iorque (2002), Em Nome do Pai (1993), O Último dos Moicanos (1992), Meu Pé Esquerdo (1989), entre outros não menos louváveis. Deve faltar espaço para tantas premiações em sua casa: dois Oscar, três BAFTA e um Globo de Ouro.

O aspecto mais importante na carreira de Day-Lewis é a sua imersão no papel que representa. De fato, muitas vezes durante as gravações de um filme, este ator passa a incorporar o estilo de vida de seu personagem, para melhor compreender suas características e, assim, transmitir ao público mais fielmente emoções e sentimentos.

Foi assim em Meu Pé Esquerdo, em que interpretava um homem com paralisia cerebral. Terminadas as gravações, Lewis não descia da cadeira de rodas e esta passou a acompanhá-lo no cotidiano. Resultado: um Oscar. Em Em Nome do Pai, Daniel forçou-se a aprender o sotaque irlandês (o que não deve ser gratificante para o orgulho britânico) e mesclou-se tanto à cultura irlandesa para interpretar seu papel de vagabundo hippie que conseguiu a cidadania irlandesa após as filmagens. Outros exemplos podem ainda ser mencionados: sua intensiva malhação para conquistar o corpo sadio de um índio americano e os cigarros não industrializados que ele mesmo enrolava em O Último dos Moicanos; os muitos quilos perdidos para interpretar o pai doente e sonhador de O Mundo de Jack & Rose; os trejeitos grosseiros e o ofício de açougueiro para fazer o Açougueiro Bill em Gangues de Nova Iorque.

Está certo que seu método é e foi por várias vezes alvo de críticas e gozações pela intensidade com que se desenvolveu. A referência ao super-ator branco que tinge sua pele de negro para interpretar um soldado casca-grossa em Trovão Tropical (2008)parece atingir diretamente Day-Lewis.

Entretanto, num mundo de interpretações rasas, em que a personalidade mal se desprende do ser para viver uma nova experiência; em que atores ficam marcados por um trabalho só e não se permitem explorar novos horizontes; e em que os filmes investem cada vez mais em efeitos especiais em detrimento da boa atuação, bem, nesse mundo é uma honra contar com um ator como Daniel Day-Lewis.

1 comentários:

Leonardo Pinheiro disse...

Esse ator é fera!

Vou procurar ver Meu Pé Esquerdo.

Postar um comentário